Li* que, ao contrário do que se possa pensar, a probabilidade de um número de 0000 a 9999 tirado à sorte ser 1111 ou 1567 é a mesma. As pessoas não têm razão para ficarem admiradas quando um número da lotaria é 6666 ou 1234; são números normalíssimos, como outros quaisquer, e matematicamente tão prováveis como outros quaisquer. Pus-me a pensar sobre isto e cheguei à conclusão de que há um aspecto que falta a quem faz esta análise: o que está em jogo é, na verdade, a saída de números peculiares. Isto significa que há um grupo de números que por terem uma determinada característica (capicuas, todos os algarismos iguais, etc.) saltam à vista, que são menos do que os restantes e que têm, por isso, uma probabilidade de saída menor que a dos restantes. É por isso que ficamos admirados por nos sair um 6666 ou um 1234.
* Quando tiver a referência completa, que não sei de cor, coloco-a aqui.



Percebo pouco de estatística e nada de probabilidades, mas estou aqui com uma dúBida: vamos gerar aleatoriamente uma sequência de 4 algarismos – milhares, centenas, dezenas e unidades (como no sorteio do loto); sai o algarismo dos milhares; quando se for extrair o das centenas, há 1 probabilidade em 10 de ser igual ao dos milhares, mas 9 em 10 de ser diferente; o mesmo para as dezenas e unidades; ou estou errado?
Estás certo, mas aí estamos a falar de sortear cada um dos algarismos separadamente, e isso é diferente de sortear um número de 4 algarismos de uma vez só.
Mas, no conjunto dos números de 4 algarismos, aqueles cujos 4 algarismos são iguais (como em ’5555′), consecutivos (como em ’1234′) ou simetricamente dispostos (como em ’1221′) não estarão em minoria, tornando-os estatisticamente menos prováveis?
Sim, era aí que eu queria chegar com o post: não é o número em si que é menos provável, mas sim possuir essas características. Estamos de acordo, portanto.
Vivam a lógica e a dissecção analítica de raciocínios!
É só para dizer que capicua é uma palavra gira que já não ouvia há algum tempo.